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ENTREVISTA - CCB

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O Folclore boliviano é tido como uma das manifestações culturais mais importantes do Mundo devido à sua variedade em vestimentas, ritmos musicais e costumes ancestrais . 

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ENTREVISTA CCB

RUTH EDITH TORREZ MALLEA

A
SSUNTO
:
Dança e folclore bolivianos. Cultura musical.

DATA: 30/05/2008       LOCAL: Curitiba - Paraná

Nesta oportunidade temos a grata satisfação de entrevistar e conhecer a uma mulher boliviana, batalhadora   e empreendedora,  trata-se de Ruth  Torres Mallea,  psicóloga de formação e professora de danza folclórica boliviana.

CCB: Em nome do Centro Cultural Boliviano do Paraná  gostaríamos de te agradecer por ter atendido nosso convite de vir aqui ao Brasil no estado do Paraná  para  ensinar-nos  da maneira correta  o folclore boliviano no que se refere a dança.

Fala-nos de você, para que o público Brasileiro e especialmente os  nossos patrícios  te conheçam  um pouco mais, a tua trajetória como professora de dança..

RTM: Bom , obrigada , quero também agradecer-lhes pelo convite que me fizeram para vir aqui a Curitiba, quero agradecer ao grupo de dança  folclórica  boliviana (GDFB) , ao Centro Cultural Boliviano do Paraná , ao seu presidente o Engº Milan Cuellar Pereyra, e a todos que participam deste Centro,  agradecer pelas boas vindas que me deram aqui no Brasil.

Sou da cidade de La Paz- Bolívia ,  solteira e a minha residência é a cidade de El alto. Sou formada  em Psicologia,  porém desde pequena sou apaixonada pela dança , fazendo parte de várias escolas de dança. Para começar fui convidada pela Escola de dança Bolívia India da cidade de La Paz  como aluna e posteriormente passei a fazer parte como “ dançarina efetiva” lá pelos anos noventa., posteriormente por motivos profissionais  tive que sair por uns tempos, porém depois retornei já para as apresentações em programas de televisão  no canal 11 canal 4,  no programa  Sábados de alegria , participei também em vídeo-clips  para grupos musicais muito reconhecidos da Bolívia  como os Canários Del Chaco, a família Valdívia,  Enriqueta Ulloa, Zulma Yugar.. Depois fui trabalhar na escola de dança  do governo municipal da cidade de El Alto , como bailarina participei de várias apresentações naquela cidade. Logo fui professora de dança da escola  PIO X que fica  no bairro Cidade Satélite, onde há formação para crianças , jovens e adultos . Em certa ocasião conheci  Mirco Shaban e sua esposa Louise que são daqui de Curitiba  que  se encontravam de férias na Bolívia, eles  tiveram referências do meu trabalho  e marcaram umas aulas de dança, gostaram do meu trabalho  e fizeram o contato para que eu esteja agora em Curitiba.

CCB: Comenta-nos sobre os ritmos que existem na Bolívia. Sabemos que são muitíssimos.

RTM:  
Claro. Na Bolívia temos uma diversidade de  danças. As danças mais  conhecidas  no exterior são “ Caporales” , “Morenada”,  porém existem as danças do oriente boliviano como “Taquirari” , Carnavalito, Jumechi entre outros que são pouco conhecidas. Há também a“Cueca”  que cada estado (departamento) possui, os Bailecitos, , Salaque, Lhamerada, Pujlhay, Suri- Sicuris, Mollos, Auqui-Auqui, Tonada Potosina, Tinkus, Tobas, Chovena,  Culhawada, Roda Tarijenha, Jalk´as,  Diablada, Antawaras, Waca-Waca, Doctorcitos,  Incas, Mocenhada da região do Altiplano , Quena-Quena, etc.etc., enfim, há uma variedade de ritmos e danças . Neste momento são essas das que lembro.

CCB: O Brasil é um país que possui raízes  africanas,  os  ritmos  brasileiros têm influência africana. Na Bolívia há algum ritmo que tenha  influência africana?

RTM
:
Influência na dança  folclórica diria que não há,  mas, foi incorporado ( que ao meu ver é diferente) por exemplo na Saya,  chamamos de Saya Afro-boliviana, que nós como folcloristas difundimos no exterior, é da  Saya,  que nasce os Caporales, que vem a ser um resumo da história vivida  na época dos espanhóis, nesse sentido quero frisar que por essa história vivida foi se  tirando as danças, pelas tradições, etc.

CCB: Temos conhecimento que na Bolívia existem muitas escolas de dança folclórica, poderíamos dizer que principalmente os jovens se interessam muito em cultivar,conservar e difundir as tradições do folclore?

RT: Sim, hoje em dia se difunde muito mais que em tempos anteriores, são duas as escolas que contribuiram para essa divulgação, uma é  o chamado Ballet  municipal Bolívia Índia, e a outra o Ballet Nacional de La Paz, foram eles que difundiram o nosso folclore, também outra maneira que os jovens divulgam o folclore  é na cidade de Oruro, participando do Carnaval que foi nomeado pela Unesco, como Patrimônio Oral e Intangível da Humanidade, há também a “entrada” dos Universitários onde os jovens universitários são os dançarinos, a “entrada” Gran Poder é outra manifestação onde os jovens participam mostrando o colorido de nossas danças folclóricas.

CCB: Há outras entidades que apóiam ou divulgam a dança boliviana?

RTM: Sim, existem também Centros Culturais nas cidades de La Paz e El Alto onde os jovens aprendem as danças folclóricas. Nestes centros  também ensina-se a tocar violão, poesia, teatro e também a praticar com instrumentos típicos musicais.

CCB: Existe algum incentivo do governo Estadual ou do municipal para conservar e logicamente  divulgar o folclore boliviano?

RTM: Uma das formas que trabalha o governo municipal  é, contratar os melhores dançarinos das  escolas de dança folclórica,   homem e mulher, para que eles assumam como professores em  escolas de dança das periferias e ensinem gratuitamente aos jovens interessados da comunidade. Os dançarinos são remunerados pelo governo.

CCB: Freqüentemente, lemos no jornal que países vizinhos a Bolívia divulgam como sendo originário deles  alguns ritmos, instrumentos e danças folclóricas típicos da Bolívia. O que vocês como profissionais do folclore, fazem diante dessa situação? 

RTM: Bom, na Bolívia temos pessoas que são nomeadas representantes, chamados de  Embaixadores da Cultura, e é através deles que tenta-se combater qualquer plágio quanto a música, dança etc. Dou um exemplo do Charango que é um instrumento de cordas que nasceu em Potosi  em 18...., e que foi apresentado como sendo típico de um país vizinho, quanto a dança, temos  o Caporal , a Diablada, etc. que distorceram não somente nos passos da dança mas também quanto a vestuário. Quando acontece uma situação destas, nós divulgamos nas estações de rádio, televisão, etc. e fazemos o nosso protesto dando a conhecer teoricamente as origens das danças, músicas, instrumentos, etc,etc. Já os embaixadores da cultura o fazem a nível de governo.

CCB: Ruth, seja essa, mais uma oportunidade de estarmos em contato com você, para que nós, que moramos fora de Bolívia, também possamos dar a conhecer ao público brasileiro todo o movimento que vocês fazem para confirmar as origens dos diversos ritmos tipicamente bolivianos. Certamente o CCB estará apoiando este movimento.

RTM: Sim. O que se quer é  divulgar e compartir nossa cultura com o mundo todo, porém sem desvirtuar as origens, para estarmos  todos irmanados sem linhas divisórias.

CCB: As músicas e danças bolivianas são bastante conhecidas na Europa, muito mais do que no Brasil por exemplo. Como se deu essa difusão na Europa?

RT: Direi que as escolas de dança Bolivia India e o Balet Folclórico Nacional , são os que começaram com essa difusão na Europa. Porém, o que ajudou também foi a migração de bolivianos aos diferentes países da Europa e do mundo. As saudades  da terra que foram sentido fez com que eles se organizassem em grupos e também aos poucos difundirem as nossas raízes. Também os grupos musicais como Kjarkas, Awatiñas, K´ala Marka, entre outros difundiram nossa música e nossas raízes.

Aqui, no Brasil há Centros  Culturais organizados que também divulgam o nosso folclore. Um deles que tenho oportunidade de participar diretamente agora é o Centro Cultural Boliviano do Paraná, existem também em São Paulo, Rio de Janeiro, etc.

CCB:  Há alguma dança no Brasil que seja parecido com alguma da Bolívia?

RTM:  Há uma semelhança do ritmo Chovena do Oriente boliviano com uma dança da região Norte/ Nordeste do Brasil. Que se faz saltitando, com muita graciocidade, trançado de fitas, etc,etc.

CCB: Qual é a impressão que você tem do Centro Cultural Boliviano do Paraná e principalmente do Grupo de Dança Folclórica Boliviana  do CCB?

RTM: O que me “encantou”  de vir de um pais a outro foi  a cordialidade  e os braços abertos com que me acolheram. Gostei do entusiasmo que há no grupo de dança do CCB,  esse carinho que demonstram para resgatar e divulgar todo o folclore da Bolívia, e muito mais saber e ver que brasileiros gostam de nossas raízes e isso fez com que fique orgulhosa de estar aqui ensinando o “nosso” folclore. Fico muito feliz que os patrícios sintam saudade da nossa terra boliviana e não a esqueçam difundindo sempre as nossas raízes.

CCB:  A música e dança não têm fronteiras, é só senti-la e  apaixonar-se por elas.

RTM: Sim, é verdade.

CCB:  Você tem projetos mediatos  ou imediatos a realizar?
 
RTM:  Um dos projetos que tenho, já está em andamento que é a da  minha escola, pretendo junto aos meus sócios, oferecer cursos de instrumentos de cordas, instrumentos de vento, instrumentos de percussão, artes cênicas, etc., etc.

ZIP-ZAP

 
Que ritmo gostas mais?
Gosto de todos ritmos, não tenho um em especial.

A Coreografia mais diferente que já apresentaste?
A “Mocenhada” que é uma dança do altiplano boliviano.

Há um dançarino ou dançarina que admiras?
Gosto da Luzmila Cárpio

Tuas Virtudes e Defeitos...
Penso que uma virtude que tenho é confiança, e o meu defeito é ser autoritária.

Do que você gosta , e do que você não gosta ?
Dançar, não gosto de mentiras.

Gostas de Cozinhar?
Não..., não gosto, porém sei cozinhar.

Tens algum prato preferido?
O “ Plato Pacenho”.

Tua frase preferida?
Sempre digo com Deus..

Onde gostarias de passar tua velhice?
Na minha Bolívia – La Paz

Tua mensagem para viver um mundo melhor..
Sermos países mais integrados, sem limites de fronteiras para assim poder contatar-nos como irmãos e não simplesmente como países vizinhos.

CCB: Ruth, obrigado por responder a nossa entrevista,  em nome do Centro Cultural Boliviano do Paraná e do Grupo de Dança Folclórica Boliviana queremos dizer que é um prazer tê-la aqui conosco. Esperamos goste  de Curitiba, uma das melhores cidades para se viver, muito organizada e com um povo cordial. Dizer também que este seja o começo de uma longa parceria no futuro.

RTM: Eu agradeço a todos do CCB-PR pelo carinho que me brindaram na minha estada em Curitiba.

 

Curitiba, 30 de Maio de 2008. CCB-PR Dpto.Cultural                               Topo     Início

 

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